Preditores de insuficiência cardíaca no IAM de parede anterior

A insuficiência cardíaca (IC) é fator prognóstico no infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento do segmento ST (supra de ST) e pode ocorrer tanto em sua fase aguda como subaguda. 

A incidência da IC após IAM com supra de ST varia de 10 a 45% nos estudos e a mortalidade e reinternação são altas, sendo de extrema importância identificar populações com alto risco de desenvolver IC nesta situação.  

Pacientes com IAM de parede anterior tem maior incidência, menor fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e maior mortalidade aguda e em longo prazo que IAM em outras localizações. Baseado nisso, foi feito um estudo que buscou identificar fatores de risco associados a esta condição. 

Representação gráfica de um coração que pode sofrer de Insuficiência cardíaca devido a anormalidades no nível de potássio

Métodos

Foi um estudo retrospectivo que incluiu 714 pacientes consecutivos com IAM com supra de ST de parede anterior entre 2013 e 2019. Os critérios de inclusão eram: IAM com supra de ST de parede anterior, realização de angioplastia primária até 12 horas do início dos sintomas ou mais se evidência de progressão de isquemia. Os critérios de exclusão eram: IAM prévio, IC prévia, doença congênita ou valvar, cardiomiopatia e informações incompletas. 

Resultados

Os pacientes, com idade média de 61 anos e 80,7% do sexo masculino, foram divididos em dois grupos: 387 com IC intra-hospitalar e 327 sem IC intra-hospitalar.  

Pacientes com IC tinham um perfil de alto risco: idade mais avançada, sexo feminino, frequência cardíaca mais alta, menor pressão arterial e FEVE, maior diâmetro diastólico final do VE, mais complicações (fibrilação ventricular, taquicardia ventricular, fibrilação atrial) e maior ocorrência de pneumonia.  

Além disso, tinham também maiores níveis de leucócitos, creatinina, cistatina C, fibrinogênio, d-dímero e NT-próBNP, mais ocorrência de doença triarterial, fluxo TIMI menor que três na artéria infartada, insuficiências mitral e aórtica, aneurisma de VE e alteração segmentar. 

O fator com maior risco de ocorrência de IC foi a fibrilação ventricular (OR 5,66; IC95%: 2,25-14,23, P < 0,001), seguidos de pneumonia (OR 4,72; IC95%: 2,44–9,10, P < 0,001) idade (OR 1,03; IC95%: 1,01–1,04, P < 0.001), FEVE (OR 0,96; IC95%: 0,93–0,97, P < 0,001) e pico de NT-pro-BNP (OR 1,06; IC95%: 1,02–1,11, P = 0,006). Os melhores cortes para idade, FE e pico de NT-pro-BNP foram 65 anos, 50,7% e 1932pg/dL respectivamente. 

Conclusões

Este estudo encontrou os fatores de risco fibrilação ventricular, pneumonia, idade, FEVE e pico de NT-pro-BNP como sendo fatores de risco independentes para ocorrência de IC após IAM com supra de parede anterior, o que ajuda a identificar pacientes que necessitarão ser monitorados mais de perto durante a internação, no intuito de prevenir complicações e melhorar sobrevida.

Leia também: 10 regras para otimizar configurações e metas ventilatórias pós-parada cardíaca

Mensagem prática

Talvez esses pacientes necessitem de tratamentos mais agressivos, seja por meio de revascularização, tratamento medicamentoso mais agressivo, monitoramento mais intensivo dos sintomas, manejo hemodinâmico direcionado ou transferência precoce para centros terciários.


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Autor

Editora de cardiologia do Portal PEBMED ⦁ Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) ⦁ Residência em Clínica Médica pela UNIFESP ⦁ Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) ⦁ Atualmente atuando nas áreas de terapia intensiva, cardiologia ambulatorial, enfermaria e em ensino médico.

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